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A aldeia de Campêlo situa-se num cume por cima de Vila Nova do Ceira. A estreita estrada passa pela aldeia, alinhada por casas velhas e novas. As casas mais velhas foram construídas com grandes pedras de grés de cor-de-rosa e amarelo provenientes de Olho de Marinho e eram trazidas em carros de bois até a aldeia.
O monte por cima da aldeia chama-se Serra da Santa Quitéria e era no passado baldio.
Uma residente do Campêlo com 90 anos de idade, a Sr.ª Albertina de Jesus Felipe contou-nos um pouco como as pessoas no passado viviam:
Os habitantes de Campêlo viviam da agricultura e tinham os seus bois para trabalharem no campo. Vendiam gado e queijo e apanhavam a resina. O cereal que crescia era levado para os moinhos de Vila Nova do Ceira e as azeitonas para o lagar de Vila Nova do Ceira para serem prensadas.
As pessoas eram pobres e iam descalços tanto de Verão como de Inverno. O trabalho no campo era duro mas as pessoas juntavam-se e apoiavam-se e cada dia brincavam e riam durante o trabalho árduo. Ninguém se sentia sozinho numa comunidade tão próxima – havia sempre um amigo, vizinho ou familiar para ajudar.
No passado, os pobres e pedintes costumavam ir de porta a porta perguntar por comida. Uma vez, como ela nos contou, bateu um pedinte com o seu saco à sua porta e perguntou-lhe se tinha algo para comer. “ Só se for uma cebola”, diz ela. O pedinte respondeu:”Eu nunca comi cebola” e ela retorquiu: “ Neste caso tem mais sorte do que eu!”
A Sr.ª Albertina nunca foi à escola mas aprendeu a ler e a escrever com a “garotada” que frequentava a escola e vinha depois ajudar às mulheres na tarefa de guardar o gado nos montes e partilhava com elas os seus livros e as suas sabedorias. Outras habilidades ganhou por observação – quando ainda era muito jovem observou um homem que tinha vindo para podar as oliveiras na Primavera e a partir dali encarregou-se ela própria desta tarefa. Não havia fonte nem ribeira no Campêlo e assim os habitantes utilizavam a água dos poços para beber e regar as terras, carregando inúmeros cântaros para este propósito. “Não pode imaginar a quantidade de cântaros que já carreguei!” Finalmente a água foi canalizada, primeiro proveniente da Serra do Olho Marinho e agora vem de Arganil.
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