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Casal de Ribeira  

 

Casal de Ribeira  
 


   
 

Casal de Ribeira

Casal da Ribeira é constituído por um pequeno grupo de quatro casas construídas no lado leste do vale do Sótão. O lugar situa-se numa pequena saliência de terreno alguns metros acima na encosta do vale. O Casal da Ribeira é o começo da ‘Levada de Cima’ que transporta a água até a Tôpa. O rio por baixo da aldeia pode, durante o Verão, aparecer quase completamente seco porque um pouco rio mais acima os canais de irrigação desviam o curso do rio para levar água de rega aos campos e fornecer água aos três moinhos por baixo da aldeia. Destes três moinhos um é partilhado com a Monteira. Os moinhos são: O ‘Moinho do Casal da Ribeira’, o ‘Moinho da Insua’ e o ‘Moinho das Feteiras’. Os primeiros dois ainda estão funcionais mas já não são utilizados e o terceiro encontra-se num estado degradado porque o telhado caiu. Há um velho poço em pedra com engenho num dos campos, do qual outrora a água era tirada com a força de um cavalo. A aldeia tinha várias eiras para secar o milho. O lagar onde as azeitonas eram prensadas encontrava-se em Vila Nova do Ceira.

Casal de Ribeira Casal de Ribeira Casal de Ribeira

No passado, as crianças de Casal da Ribeira visitavam a escola de Monteira até que esta fechou há alguns 15 anos atrás e agora frequentam a escola de Vila Nova do Ceira. As pessoas iam a missa semanal para a Igreja de Vila Nova do Ceira e ocasionalmente, até 3 anos atrás quando o padre deixou de vir, para a capela de Monteira. Quando alguém da aldeia falecia o defunto era carregado com ajuda de paus e cordas nos ombros de 4 homens para o cemitério de Vila Nova do Ceira.
A estrada que passa pela aldeia foi feita há mais ou menos 19 anos. Antes disso só havia uma estrada de carros de bois e um carreiro.
Muita gente da aldeia costumava trabalhar na fábrica de papel da Ponte do Sótão. Caminhavam ao longe de carreiros para os Caselhos, a seguir para a Portela e atravessavam a ‘Ponte do Porto’ em direcção a capela de S. Gens de Ponte do Sótão. O homem com quem falamos em Casal da Ribeira contou-nos que, quando era criança, levava com a sua mãe hortaliças, laranjas, maçãs e outros bens agrícolas para o pequeno largo ‘Cimo da Barreira’ na Ponte do Sótão. Assim as pessoas que vinham do trabalho da fábrica de papel podiam comprar tudo aquilo que necessitavam.
Havia dois sapateiros a viver no Casal da Ribeira, provenientes da mesma família, que também faziam tamancos.
Há várias tradições locais que são festejadas durante o ano no Casal da Ribeira como também nas aldeias vizinhas desta área:
No Carnaval as pessoas disfarçam-se e ‘cantam as pulhas’ - alguém se esconde de noite na aldeia e divulga de alta voz todos os rumores, segredos e bisbilhotices que se passaram durante o ano, sem poupar nada e ninguém!
Durante da festa de S. João no Verão usava-se erguer um mastro, no topo do qual se pendurava um cântaro com um gato dentro e incendiava-se o fogo em baixo na palha que o envolvia. Finalmente o cântaro caia e partia e o gato fugia. (Gostaríamos mesmo saber as origens desta tradição que era bastante conhecida e praticada na região).
Na altura da colheita fazia-se um jogo durante as escapeladas do milho – este era conhecido por ‘Chí’ ou ‘Xí’ e implicava que se tinha abraçar toda a gente presente quando se encontrava uma espiga escura. As pessoas gostavam muito deste jogo porque isto dava a oportunidade de chegar um pouco mais perto às raparigas (ou rapazes)! Nesta aldeia a espiga escura é chamada ‘espiga rainha’.
Na altura do Natal, do 24 de Dezembro ao 1.º de Janeiro, era feito uma fogueira de troncos de oliveiras – os ‘cepos de Natal’ – que ardia no largo. A fogueira era mantida continuamente acesa durante todo este tempo e as pessoas dançavam à volta e saltavam por cima das chamas e algumas vezes também caiam para dentro!

 
Casal de Ribeira
 
Casal de Ribeira
 
Casal de Ribeira
 
Casal de Ribeira
 
Casal de Ribeira
 
Casal de Ribeira
 
Casal de Ribeira Casal de Ribeira Casal de Ribeira
     
 
       
Gois    
  Updated 4 November, 2008