Barreiro
Balsas
Cabril
Campêlo
Caracol
Carapinhal
Carvalhais
Casal da Ribeira
Cerejal
Chão dos Santos
Chapinheira
Covas do Barro
Cruzinhas
Farroiba
Fonte de Soito
Formiga
Inviando
Juncal
Linteiro
Lomba
Mata
Monteira
Murtinheira
Oliveirinhas
Passô
Picarotos
Rojão
Sacões de Baixo
Sacões de Cima
Santo Velho
Telhada
Terras
Tôpa
Val de Egas
Vale de Oleiros
Várzea Grande
Várzea Pequena

Sacões de Baixo  

 

Sacões de Baixo  
 


   
 

Sacões de Baixo

A aldeia de Sacões situa-se numa saliência horizontal e mais plana de terreno lá no alto do rio Sótão. A aldeia segue principalmente uma rua estreita de velhas casas, construídas das redondas pedras glaciares, provavelmente desbravadas da terra à volta da povoação. Junto das casas encontram-se muitos jardins individuais de flores, dando à aldeia um ambiente agradável. No cimo da povoação está a capela, dedicada ao St.º António – pensa-se que seja uma das mais velhas da freguesia. No censo de 1527, Sacões é soletrado ‘Çacom’ e alistado com 5 fogos. Mas existe um conto que narra que outrora havia muitos castanheiros aqui, e no Outono até pessoas de fora vinham para encher ‘sacões’ de castanhas, e assim a aldeia ficou com o seu nome. Hoje, à volta da aldeia já não há assim tantos castanheiros – o arvoredo é na maior parte constituído por pinheiros e eucaliptos. Mesmo no cimo da aldeia, atrás da capela, há vários magníficos eucaliptos com perímetros enormes, que por qualquer razão escaparam de serem cortados para madeira. (Há também uma historia que conta, que no passado esta localidade era chamada ‘Lagoa de Sacões’ por causa de um lago que se estendia até Góis, mas os testemunhos geográficos não apoiam esta teoria).

Sacões de Baixo Sacões de Baixo Sacões de Baixo

Na parte de cima da aldeia costumava haver pequenos currais cobertos com colmo (palha de centeio) que serviam para guardar o gado. Havia mais ovelhas que cabras na aldeia e a lã destas era vendida para uma fábrica de Foz de Arouce. No passado as eiras eram ‘barradas’ com excrementos dos bois para tapar as gretas e frestas na terra batida e este chão era a seguir batido com os manguais. Assim o solo ficava direito e os grães dos cereais não podiam desaparecer. No centeio muitas vezes crescia um fungo, aqui chamado ‘cornicho ou cornelho’ que era apanhado e utilizado para tingir a lã ou a roupa de preto. A aguardente de medronho era muito famosa nesta aldeia. Primeiro apanhava-se o fruto e este deixava-se num caldeiro durante 1 até 1 mês e meio. Depois mexia-se todos os dias o mosto durante mais ou menos um mês. A aguardente era feita num alambique e o processo demorava entre 3 a 4 horas para esta sair fina como devia ser.
Tivemos o prazer de encontrar o Sr. Aníbal de Matos e a sua mulher Cecília Conceição Santos que nos contaram da sua aldeia e das suas vidas:
Outrora vivia muita gente em Sacões. No ano de 1949 havia 49 crianças na aldeia. Algumas frequentavam a escola de Vila Nova do Ceira mas na aldeia não tinham possibilidades e assim a Sr.ª Cecília Conceição Santos só aprendeu ler e escrever quando foi com 15 anos para Lisboa para trabalhar. Antes disso, na aldeia, trabalhava-se de sol a sol, a vida era dura mas mesmo assim havia muita amizade e alegria e era uma vida saudável e quando ela chegou para a primeira vez a Lisboa sentiu as saudades da sua terra.
O Sr. Aníbal contou-nos uma história que durante a Primeira Guerra Mundial o seu pai, António de Matos, estava em França num subterrâneo como telegrafista. A família dele ouviu o rumor que todos os soldados portugueses em França tinham morrido na guerra e assim entraram de luto, vestindo-se de preto. Mas um dia o António de Matos, nesta altura com 20 anos de idade, chegou à estação de comboio em Serpins e caminhou até a sua aldeia. Quando chegou a casa e surpreendeu a sua família todos ficaram radiantes de alegria de o ver vivo. Pouco depois, como tantas outras pessoas da região, o António de Matos foi para Lisboa à procura de trabalho.
O Sr. Aníbal foi durante 45 anos um membro activo do Regionalismo e da Casa do Concelho de Góis em Lisboa. Ali discutiam-se assuntos de melhoramentos e desenvolvimento para as 5 freguesias de Góis. Ele fez muitos trabalhos para a sua terra natal de Sacões e em 1962 organizou o fornecimento eléctrico e inaugurou o lavadouro público. Pouco depois foi feita a estrada com a ajuda dos habitantes, que ia dos Conhais ao Cerejal e para além até Vila Nova do Ceira. Antes disso só havia um carreiro que passava por cima do monte para a Portela de Albergaria e Candosa.

 
Sacões de Baixo
 
Sacões de Baixo
 
Sacões de Baixo
 
Sacões de Baixo
 
Sacões de Baixo
 
Sacões de Baixo
 
Sacões de Baixo Sacões de Baixo Sacões de Baixo
     
 
       
Gois    
  Updated 4 November, 2008