Barreiro
Balsas
Cabril
Campêlo
Caracol
Carapinhal
Carvalhais
Casal da Ribeira
Cerejal
Chão dos Santos
Chapinheira
Covas do Barro
Cruzinhas
Farroiba
Fonte de Soito
Formiga
Inviando
Juncal
Linteiro
Lomba
Mata
Monteira
Murtinheira
Oliveirinhas
Passô
Picarotos
Rojão
Sacões de Baixo
Sacões de Cima
Santo Velho
Telhada
Terras
Tôpa
Val de Egas
Vale de Oleiros
Várzea Grande
Várzea Pequena

Várzea Grande  

 

Várzea Grande  
 


   
 

Várzea Grande

A bonita aldeia de Várzea Grande era no passado conhecida como Várzea de Além, enquanto que Várzea de Aquém era o nome da aldeia de Várzea Pequena – referindo-se ao facto que as duas povoações se encontram de lados diferentes do rio Ceira. ‘Vila Nova do Ceira’ é o nome da freguesia da qual Várzea Grande é a sede, embora as pessoas actualmente também utilizam este nome para se referirem à própria aldeia de Várzea Grande.
No coração da povoação encontra-se a bonita Igreja de São Pedro que se situa num grande largo e dá as meias horas. Aqui, as árvores de tília oferecem uma sombra bem-vinda e as pessoas juntam-se para jogarem às cartas, conversarem ou simplesmente observarem as actividades da aldeia. À volta do largo estão as lojas: uma mercearia, uma farmácia, dois talhos, um cabeleireiro, vários prontos-a-vestir, uma loja de brindes e três cafés. Existe um supermercado bem abastecido na aldeia, uma cooperativa agrícola que também opera uma bomba de gasolina e uma serração. A aldeia tem o seu próprio jornal – “O Varzeense” – que é feito aqui e escreve sobre a região. Também existe a filarmónica, dois ranchos folclóricos e um grupo de dança moderna.

Várzea Grande Várzea Grande Várzea Grande

A Várzea Grande tem mais casas grandes e quintas que qualquer outra aldeia no concelho. A sua riqueza originou dos terrenos agrícolas férteis no vale e os proprietários recebiam ganhos generosos das suas terras. A Várzea Pequena do outro lado do rio é de facto a mais velha das duas aldeias mas a Várzea Grande cresceu largamente durante o século XIX. Hoje funde-se com várias aldeias pequenas que se encontram nos arredores.
A Várzea Grande situa-se entre 4 montes e foi na realidade bastante isolada do mundo de fora – no início do século XX, a novidade acerca do fim da monarquia e a implantação da República (5 de Outubro de 1910) apenas chegou sete dias mais tarde no dia 12 de Outubro. Este isolamento fez com que os habitantes desta área preservassem as suas tradições e costumes até recentemente.
Um costume estranho era o de quando na aldeia uma mulher se encontrava em trabalho de parto e as coisas não corriam muito bem, foi mandada uma rapariga jovem, que era virgem, para a Capela do Mártir onde esta subia um escadote até ao telhado e virava uma das telhas ao contrário. Isto tinha (supostamente) o efeito de virar a energia para outra direcção e muitas vezes, quando a rapariga voltava, o bebe já tinha nascido.

Várzea Grande Várzea Grande Várzea Grande

Os festivais do ano eram marcados com actividades que nem sempre tinham uma conexão óbvia com o cristianismo mas reflectiam muitas vezes uma maneira de viver muito mais antiga.
No meio da quaresma, nos quarenta dias entre o Carnaval e a Pascoa, realizava-se o costume da “Serração da Velha”. Apenas homens participavam nesta tradição. De noite faziam um boneco, enchendo roupas com palha. Este boneco era suposto representar a mulher mais velha da aldeia. Juntos iam com o boneco até a casa da mulher idosa e em frente da casa dela serravam o boneco em duas metades, utilizando um serrote grande de duas pessoas e fingiam que estavam a chorar a sua morte. Depois de esta tarefa ser concluída, chegou o tempo de ler o seu testamento para a multidão reunida: As roupas e acessórios da mulher idosa eram doados a pessoas diferentes consoante algum relevante critério satírico – p. ex. “ Eu doo os meus sapatos ao padre porque tem os seus rotos; a minha roupa interior doo a fulano porque vi o ontem sem roupa na casa da minha vizinha!” Isto era uma maneira de dar voz às críticas sociais, geralmente dirigidas às autoridades ou outras pessoas de bens e poderosas da região.
A festa de São João é o festival do solstício de Verão que ainda se realiza no 24 de Junho e na Várzea Grande era celebrada em grande estilo. No centro da aldeia erigia-se um pavilhão, no meio do qual era fixado um poste de 4 m de altura, decorado com murtas e fetos ribeirinhas e à volta do qual toda a gente dançava. Todos os anos, também na festa de São João, os aldeões construíam um grande balão feito de arame e coberto com papel de seda. Este era segurado por cima do fogo no largo para aquecer o ar de dentro, depois no fundo da armação era fixado um pano embebido em resina e óleo que era aceso. Quando o relógio da Igreja tocava meia-noite os habitantes da aldeia lançavam o balão. Algumas vezes chegava a ir tão longe como Arganil ou Lousã. Lamentavelmente nos anos 1960 esta tradição foi proibida por causa do risco de incêndios.
No dia de São Pedro (29 de Junho) a água do rio era considerada benta. As mulheres da aldeia costumavam neste dia levantar-se antes do nascer do sol e tomavam banho no rio para purificar o corpo e a alma, vestidas unicamente de combinações. Claro que os homens sabiam que as mulheres faziam isto e alguns ‘mirones’ escondiam-se para espreitarem como elas tomavam banho! De noite dançavam à volta do poste de madeira do pavilhão que ainda se encontrava lá da festa do São João, que se tinha realizada há cinco dias.

 
Várzea Grande
 
Várzea Grande
 
Várzea Grande
 
Várzea Grande
 
Várzea Grande
 
Várzea Grande
 
Várzea Grande Várzea Grande Várzea Grande
     
 
       
Gois    
  Updated 11 November, 2008