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Barreiro |
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Vila Nova do Ceira é geograficamente a mais pequena freguesia do concelho de Góis, mas a mais densamente populada. Beneficia da terra extremamente fértil no vale do rio Ceira que se alarga por baixo da vila de Góis onde se junta com rio Sótão na Várzea Grande.
A paisagem é feita de terrenos suavemente inclinados ao longo dos rios, onde ainda hoje se cultiva milho, vinhas e azeitonas que crescem em abundância. Os lados do vale erguem-se íngremes e são plantados com uma mistura de pinheiros e eucaliptos que são utilizados pela indústria florestal. No sudeste, muitas aldeias têm a vista para o espectacular cume da Peneda de Góis e no oeste para o Cerro da Candosa – o dramático desfiladeiro talhado pelo rio Ceira através do rochedo.
A ligação entre as pessoas e a terra tem sempre sido muito forte em toda esta parte do país e isto reflecte-se nos costumes e nas tradições que foram mantidos até recentemente e alguns têm sobrevivido até agora. Por exemplo no dia 3 de Maio, no dia de ‘Bela Cruz’, antes do nascer do sol as pessoas faziam cruzes com canas e decoravam estas com flores que tinham apanhado no campo. Em cada quintal era posta uma cruz como dadiva à natureza para que esta lhes retribuísse uma boa colheita. Um outro costume era que quando uma tanjoeira (oliveira nova) carregasse pela primeira vez frutos, estes só podiam ser apanhados por uma virgem – isto supostamente fazia com que a oliveira crescesse saudável e fosse fértil. O homem que nos contou acerca destes costumes lembra-se que o seu avô sempre se levantava quando ainda era de noite para ir trabalhar no campo – e quando o sol nascia, tirava o chapéu, olhava em direcção ao sol e rezava uma oração. As pessoas eram muito unidas e durante as nossas investigações foi-nos contado inúmeras vezes como toda a gente nesta região sempre se ajudavam um ao outro. As pessoas da aldeia costumavam trabalhar juntas nos campos ‘um dia para este, um dia para outro’. Apesar do trabalho árduo no passado, havia sempre algumas brincadeiras e eles riam-se e cantavam muito e partilhavam o comer e as bebidas entre eles. Isto foi-nos dito em uníssono por toda a gente com quem falámos. Os bailes também eram muito populares em toda a região e faziam-se regularmente em casas particulares mas também nas festas anuais. A área à volta de Várzea Grande era muito conhecida pela presença de um talentoso homem cego de Sacões que tocava o seu acordeão durante os bailes. A irmã mais nova deste famoso músico, ainda vive na freguesia de Vila Nova do Ceira e foi tão amável de compartilhar connosco as suas memórias e histórias acerca da sua família e aldeia. Por favor leia isto aqui.
Durante a primeira metade do século XX, muitos homens desta região iam todos os anos para o Alentejo para ceifar e mondar o centeio. Estes homens eram chamados ‘os ratinhos’. Quando voltavam traziam sempre um pouco da cultura alentejana com eles – uns cantos, hábitos e um pouca da gastronomia, como também deixavam no Alentejo um pouco da cultura deles. É por isto que é possível ouvir o mesmo canto na Várzea Grande como algures numa aldeia do Alentejo. |
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| Updated 16 April, 2011 | |||||||||||||||