gois property
 












A vila medieval de Góis  
 

Exploring the medieval town

 
       
  A vila medieval de Góis
The medieval town of Góis

Explorando a vila medieval

A história de Góis, no que respeita ao seu aspecto económico, social e outros, parece estar ainda por descrever, isto é, por contar. Possíveis investigações arqueológicas, bibliográficas, fontes orais, epigráficas, largas paredes de alvenaria, diversos tipos e materiais de construção e outros, levam a pensar, que esta parte do Vale do Ceira foi habitada há mais de 6000 anos, e que foi económica e politicamente importante ao longo da história de Portugal e para além das suas fronteiras. Muitos dos edifícios, em volta de Góis, fizeram parte ou foram testemunhos dos eventos históricos que por aí passaram.

A vila medieval de Góis

No período medieval, Góis foi provavelmente um importante lugar de descanso para os peregrinos no seu caminho para norte em direcção à Santiago de Compostela. Isto pode ser uma explicação para a existência de tantas pequenas capelas deste tempo a volta de Góis. Sabemos através de material de arquivo e marcas gravadas na alvenaria e estilos de arquitectura, que Góis era casa de Cristãs, Mouros, Judeus e Templários. A combinação de riqueza mineral e a importante rota de comércio ao longo da estrada Romana durante o período medieval, criou a velha vila de Góis.

Se está a viver na zona, se está de visita, de férias ou quer mudar-se para área, vale a pena quedar-se algum tempo, para dar uma volta nas estradas de calçada do centro histórico medieval, da vila, para mergulhar um pouco na história local.

Uma sugestão nossa é fazer o seguinte percurso, que vos leva, ziguezagueando, para a parte mais velha da vila.

 
 

 

Um passeio a pé pela vila medieval

 
 

Rua da Quinta

Câmara Municipal

future Museum of Gois,

 


Encontramo-nos no centro de Góis, na Praça da República, em frente do Posto do Turismo. Saímos deste local, em direcção ao Pombal, de uma calçada, ao longo de edifícios com varandas pitorescas, em várias fases de renovação. Antes da calçada, do nosso lado direito, podemos observar a rua principal – Rua Conselheiro José Dias Ferreira – (mandada construir no século XIX, pelo dito Conselheiro, quando ele foi ministro dos Reis D. Luiz I e D. Carlos I e dirigia o Ministério das Obras Públicas o Engenheiro Van Zeller), e do outro lado da ponte podemos observar a capela do Mártir São Sebastião, datada do século XVIII.

tourist office

Indo pelo nosso lado esquerdo subimos pela Rua da Quinta. À nossa esquerda estão a realizar-se as obras do futuro Museu de Góis, actualmente ainda sob estudos arqueológicos. Outrora, no século XVI, este edifício foi um hospital para tratar da sífilis. Segundo fontes bibliográficas, este hospital foi construído em Góis por causa das propriedades medicinais das águas aí conduzidas. Já neste tempo pensava-se, que os poderes curativos da água provinham da existência, em pequena percentagem, de ouro dissolvido nestas águas, e como se pode provar, hoje, através actuais estudos de medicina, tinham razão. O local do hospital, a transformar no futuro Museu de Góis poderá, tal como ele se encontra, ser visitado das 9 às 12h e das 14 às 17h. Poderá obter informações no Posto de Turismo.

painted ceilings from the 17th century.

Prosseguindo a estreita rua, passamos pelos edifícios da Câmara Municipal que se situam à nossa direita. No interior do edifício Camarário, no Salão Nobre, isto é, no Passos do Concelho e no Gabinete do Sr. Presidente da Câmara Municipal, encontram-se dois famosos tectos pintados do século XVII. (?)

 
   


 
 

Moorish tiles

Rua do Passadiço

Rua do Passadiço

Largo da Pombal

Then we enter into the spacious Largo da Pombal. Until 2007 this was the weekly market place, but has been recently renovated and planted with trees and shrubs. At the top of the square is the imposing Igreja Misericordia, proudly bearing the inscription ‘500 anos’. In front of the church is an old ornate fountain, once embellished with a crown that was gleefully knocked off at the foundation of the Republic. Behind the fountain is an older well, beautifully decorated in blue and yellow Moorish tiles. To get a better look at, or photograph the well, it is possible to open the glass door that protects it.

Seguidamente entramos no espaçoso Largo do Pombal. Até 2007 teve aqui lugar a praça do mercado semanal, mas o Largo foi recentemente renovado. No topo da praça encontramos a imponente Igreja da Misericórdia que com orgulho carrega a inscrição ‘500 anos’. Em frente da Igreja situa-se um velho fontenário ornamentado. Antes da República (até o dia 05/10/1910) estava embelezado com uma coroa real dos “Braganças”, a qual foi deitada abaixo depois do dia da Implementação da República. Por detrás do fontenário encontra-se uma nascente mais antiga, lindamente decorada com azulejos azuis e amarelos hispano-árabes (de Sevilha) do século XVI. Para a poder ver melhor, ou fotografar, é possível abrir a porta vítrea de protecção.

Behind the fountain is an older well

Agora, seguindo a passagem, por cima da nascente, passamos a Rua do Passadiço, uma rua estreita e curta, no cimo da Praça, que passa por debaixo de um dos edifícios. Ladeada por pequenas casas, a rua torce-se por uma pequena distância monte acima. A seguir cortamos à direita para a Rua Ferrada José Ferreira, que nos trás de volta, e nos deixa apanhar, de relance, a vida quotidiana nas pequenas ruelas e pátios situados à nossa direita. Estamos de volta ao Largo do Pombal.

 
       
 

Igreja Matriz

D. Luís da Silveira

Igreja Matriz

Igreja Matriz

Voltamos para a Rua António Francisco Barata em direcção à Igreja Matriz. Passamos a Quinta dos Maias, actual casa dos Artistas, com o seu respectivo auditório (antiga cavalaria, conforme o demonstra o arco aí existente, em pedra de Alveite, tipo ogival, do século XVI), que fica à nossa esquerda. Este lindo edifício pertence hoje à Câmara, que está a renová-lo, para, posteriormente, servir de alojamento a artistas e escritores que nele queiram permanecer indefinitivamente ou nele passarem alguns dias. Continuamos a seguir a rua até a Igreja Matriz de Góis – construída em 1415. A Igreja Matriz é famosa pelo túmulo de D. Luís da Silveira. Da Igreja podemos observar uma excelente vista sobre Góis, o rio Ceira, e o vale em direcção ao característico rochedo da Pena de Góis.

Pena de Góis.

Depois da visita à Igreja Matriz voltamos para trás, cortamos na segunda rua à esquerda, para a Rua Olinda Ferreira Dias Nogueira. Caminhamos agora para dentro da mais velha parte do “burgo”, passando por lojas medievais e casas que estão neste lugar já a vários séculos. Do lado esquerdo situa-se um velho edifício cinzento com um pátio que outrora foi uma escola. O único vestígio desta, é um azulejo de um forte azul, colocado no poste do portão que diz, ‘Um amigo falso é o pior dos inimigos’.

Encontramos aqui casas que, pertenceram a judeus. Estes estavam proibidos de possuírem bens imóveis. Assim, apenas podiam fazer uma vida de comerciantes e negociantes na vila. No fundo da rua, do lado esquerdo, podemos ver uma arcada em pedra que tem um distinto padrão Mourisco. Outra casa, com um peitoril bastante gasto pelo tempo, diz-se ser a entrada para a casa dos Templários. Estamos, agora, no velho Largo do Terreirinho, que, provavelmente, era o centro da velha vila de Góis.

 
   


 
 

O Largo do Terreirinho

old Largo do Terreirinho,

Largo do Terreirinho é o nome deste local, inserido na zona histórica de Góis. Se olhamos à volta dessa praça, podemos observar, que as pedras ao redor das portas e janelas (ombreiras ou umbrais, padieiras, soleiras e peitoris) possuem várias cores. Nenhuma destas pedras é originária da região de Góis. Esta variedade ou tipo de ‘pedra’ seria, talvez , importada, doutras áreas geográficas limítrofes, para a “villa e o termo de Goes”. Daqui se pode concluir, talvez, que as ditas paredes, etc. de alvenaria, feitas com essa qualidade de pedra, em algumas casas, tornariam estas muito caras. Daqui se poderia, talvez , concluir da existência de um “comercio de importação de tal material” e, assim, também, de uma classe social, de antanho, talvez , a partir do século XVI, aristocrática e abastada em Góis. Podemos encontrar aqui granitos amarelos e cor-de-rosa como também arenito (grés) vermelho. Um indício que nos informa que esta mercadoria foi reutilizada, são as diversas peças de pedras, de diferentes tamanhos, utilizadas à volta das portas e janelas.

Ponte Real built by Don João III in 1533.

 
       
 

Ponteda Républica

Ponte Real built by Don João III in 1533.

Voltando à direita, Rua António Rocha Barros Júnior, entramos numa calçada que nos conduz à Rua Principal da vila medieval de Góis. Olhando para a direita, ao cimo desta, fica a Praça da República. Para o nosso lado esquerdo fica o rio Ceira. Este é atravessado pela antiga e bonita “Ponte Real” que foi mandada construir nos reinados de D. Manuel I e de D. João III, no século XVI, em 1533.

No fim da ponte, virando à esquerda ou à direita, e descendo uma ladeira, até junto do rio podemos observar, mais de perto, os seus bonitos arcos (estilo Românico). No Verão, também podemos aproveitar para parar na esplanada, à borda e sobre o rio para podermos observar a “bucólica paisagem” e também, o movimento dos “banhistas” (no açude, na praia da ilha e nas margens do rio), refrescar-nos e admirar as laranjeiras.

 
       
 

João Alves Simões

Junto ao Rio Ceira

alongside the river

Seguindo o rio abaixo, depois da ponte, para jusante e no “terminus” (limite decretado pelo P.D.M.) da zona que inclui a “Planta Histórica de Góis”, virando na primeira rua à direita, chamada, antigamente, Rua da Roda e, actualmente, Rua de Santo António, podemos ver, do nosso lado esquerdo, no número 34, dessa rua, numa casa, do século XVI, ainda hoje habitada (pelo senhor José do “Grémio”) onde, outrora, desde 1793 até fins do século XIX (1)  funcionou a “Casa da Roda de Goes”.
A legislação, desses tempos, obrigava a que por causa de vários factores, nomeadamente os sociais, as “Casas da Roda” se situassem fora do espaço geográfico das povoações.

Continuando a subir a rua da “Roda” encontramos um pequeno largo (Largo do Pelourinho) onde foi colocado, depois de ter sido removido, do local inicial (actual praça dos Táxis), Praça da República, o “Pelourinho Manuelino”. Este possuía “as armas” de D. Manuel I e dos Silveiras. Parece ter desaparecido (!!) nos fins do século XVIII até meados do século XIX (3). Prosseguindo o nosso ziguezaguear pela rua e virando à direita, regressamos à Praça da República.

(1) SIMÕES, João Alves “ Os Expostos da Roda de Góis, 1793-1841”
Dissertação de Mestrado em Historia Contemporânea, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Porto, 1999, pg. 300.

(2)Casa da Roda, op: cit,: ...“Entre 1784 e 1841 foram abandonadas na Roda de Gois 507 criancas.”... “A Ilegitimidade, decorrente de valores e sanções sociais (vegonha e a rotulagem de impura ou adúltera) e também muitas vezes aliada à falta de recursos económicos.”...”As práticas contraceptivas tradicionais procuravam resolver |...| sem êxito, a gravidez, social ou economicamente incómoda”.

(3)Neste momento, depois de uma “aturada investigação”, feita pelo Professor Mestre em História, João Alves Simões, já estão reunidos todos os elementos referidos ao dito Pelourinho. Faltando (?), apenas, colocar (?) no local inicial, a sua reprodução.

 
   
 
   
  Updated 7 April, 2008