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17 de Fevereiro
Ontem foi Carnaval – um dia de festa por todo o país, e por muitas outras partes do mundo. Em algumas das aldeias do concelho de Góis, o Entrudo, (o termo tradicional usado para estas festas e jogos deste festival) continua a ser celebrado da forma de moda tradicional de se vestirem em trajes velhos (muitas das vezes do sexo oposto) e criando a desordem geral. Esta é uma oportunidade de fazer alguns truques, fazer piadas políticas, e expor em tom de brincadeira, as fraquezas de toda a gente! Infelizmente, talvez estes antigos tradicionalismos têm sido fortemente substituídos pelos festivais feitos no Brasil, e que regressaram através do Atlântico. O elemento de disfarce é, contudo, ainda muito importante, e em muito semelhante ao que as crianças Norte Americanas e Britânicas vestem no Halloween (dia das bruxas), e as crianças em Portugal disfarçam-se de muitas maneiras no Carnaval. Não só as crianças, em muitas cidades há desfiles onde os adultos locais se vestem com muito glamour, outros nem tanto, tendo algumas delas associações políticas ou actuais. Este ano em Góis não houve o desfile de Carnaval nas escolas, em respeito ao recente falecimento do Ex-presidente de Câmara. Contudo, houve muitas celebrações carnavalescas nas vilas vizinhas, e depois de comer-mos a nossa panqueca da “Terça-feira Gorda”, dirigimo-nos a Coja no fim da tarde, onde um sonoro e exuberante fogo-de-artifício rebentou sobre o rio. Apesar da chuva persistente, as ruas de Coja encheram-se para o espectáculo, tendo a chuva abrandado suavemente para baixarmos os chapéus-de-chuva e olharmos para o céu esplendoroso cheio de fogo e de cores!
13 de Fevereiro
Eu gostaria de vos levar à beira do rio em Góis, para observarem a actividade dos pássaros no meio das árvores enquanto caminhávamos esta manhã. O primeiro prazer é o brilho azul eléctrico de um Martim-pescador que desliza ao longo da superfície do rio – Sei que este é o habitat do Martim-pescador, mas é sempre uma bela surpresa vê-los em voo. O chão está coberto de pólen, e as fofas sementes dos papiros caem sobre ele. No meio das árvores, agora enfeitadas com amentos, os pardais e os tentilhões andam atarefados ao sol, e um tordo acompanha-nos conforme avançamos. Percebo porque os pássaros são tradicionalmente associados ao dia de S. Valentim – porque este parece ser o tempo em que eles formam pares e começam a preparar o ninho, numa afirmação de vida anual. O tempo de hoje é de um gelo escarpado que começa a ser derretido por um sol a trepar forte para um céu limpo, tornando-se agradável sentar ao sol, mas ainda muito fresquinho à sombra. Por cima da vila, a serra está dourada com as flores da árvore mimosa, pois estão agora a florescer abundantemente. Está realmente um dia bonito – Gostava que cá estivessem!
3 de Fevereiro
Já começamos a sentir no ar a primavera agora que chegamos as festas da candelária. Esta última semana temos vindo a observar uns céus azuis assustadores, e um quente e maravilhoso sol durante o dia, logo que o nevoeiro matinal levanta e o gelo começa a derreter. Lá em baixo, no rio Ceira, os pássaros andam atarefados, e é um prazer ouvi-los cantar numa manhã soalheira, enquanto pequenos narcisos começam a florescer no banco debaixo da encosta do castelo. Depressa será carnaval novamente – este ano apenas dois dias depois do dia de S. Valentim – e então saberemos que o inverno findou e os dias começam a tornar-se mais longos até aos encantos do verão.
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