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  Life in Góis  November 2009  
       
  Life is Góis    por Patricia Mayborne
 
 

30 de Novembro
Esta sempre foi uma das melhores épocas do ano para mim – de certa maneira, eu desfruto o frio no ar, os ramos caídos das árvores e a transição da luz ao entardecer. Agora não há assim tantos visitantes em Góis, mas mesmo assim existem uns resistentes que ainda vão entrando no nosso escritório regularmente, e ficamos sempre felizes pela sua visita e companhia, conversando sobre casas ou a vida em geral! O que me impressiona mais nesta calma estação é a importância que nós temos todos uns para com os outros – como somos acarinhados por um sorriso ou um cumprimento por uma cara familiar na rua – como as rotinas habituais do dia se repetem vendo as outras pessoas fazendo o que têm a fazer, em certos lugares e a certas horas. Nós temos a sorte de ter o nosso escritório posicionado na praça central de Góis, porque assim podemos ver em frente as outras lojas e outros lojistas, vendo sempre movimento por fora da nossa janela. São só uns passos até ao pequeno café que é aquecido no inverno pela padaria ao lado, e pelos locais, que ficam lado a lado de ombros encostados perto da registadora a degustar café e bolos, assim como o copo de aguardente ocasional, para afastar o frio. Ontem ao fim do dia tive um “momento” desses, quando ia a subir a rua: junto à igreja, que observa sobre a vila, fiquei subitamente extasiada pela beleza do local – O azul índigo do céu na escuridão, por baixo de mim o cintilar das luzes dos candeeiros, e os escuros penedos de Góis como que de sentinela por cima de tudo isto. Naturalmente que as maravilhas de verão deste local nos fazem vibrar, mas de facto estes meses mais sombrios têm uma magia muito própria.

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14 de Novembro
É impossível não reparar que estamos em plena temporada da colheita da azeitona. Conduzir através das aldeias em redor de Góis ultimamente tornou-se ainda mais arriscado que de costume, uma vez que para além dos usuais cães a tomar banhos de sol e a perseguir automóveis, agora pelas ruas estreitas encontramos escadotes precários em ângulos estranhos contra as oliveiras, suportando (normalmente) pequenas senhoras velhinhas emaranhadas nos ramos superiores. Assim como há cerca de um mês atrás para onde quer olhássemos podíamos ver cachos de uvas, e dois meses atrás havia maçarocas de milho, agora há azeitonas, azeitonas por toda a parte – azeitonas espalhadas pelo chão, azeitonas em tinas, azeitonas ensacadas a caminho do lagar em cima de tractores. Toda a gente está a falar sobre apanhar as suas azeitonas ou a apanhá-las activamente – provavelmente neste fim-de-semana 50% da população está em cima das oliveiras! Esta é a altura em que os lagares são activados e o resultado é aquele maravilhoso azeite de rica cor verde. Já não é necessário queimá-lo para obter luz como antigamente, mas continua a ser essencial na vida quotidiana para tantos de nós. 

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5 de Novembro
Hoje foi a Noite das Fogueiras (tradição do Reino Unido) – uma data que é impossível esquecer para alguém que tenha uma criança no reino Unido! Foi óptimo receber um convite para uma festa em redor de uma maravilhosa fogueira a lançar faíscas que podiam rivalizar com fogo-de-artifício. No calendário Celta, o  Samhaim, a 31 de Outubro, é o maior dos festivais de fogo e parece certo ter uma grande fogueira nesta altura do ano, uma vez que mesmo em Portugal estamos a sentir o frio e escuridão invasivos do Inverno. Provavelmente foi boa sorte ter chovido durante quase todo o dia anterior, porque assim havia menos probabilidade de um fogo maior– o que cá é sempre uma preocupação durante os meses secos. A chuva levantou gentilmente a partir do fim de tarde, permitindo-nos  ficar ao ar livre na noite agradável, olhando o fogo como faziam os nossos antepassados, maravilhados com a ferocidade contida e o calor das chamas. A nossa fogueira estava ladeada pelo rio e podíamos ouvir o murmurar da água na escuridão, em contraponto com o crepitar do fogo. Eu achei tocante o facto de ainda podermos conectar com estas experiências elementares e, apesar de toda a tecnologia que nos rodeia, não há nada que se compare à realidade viva do vento e da terra e da água e das chamas.

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3 de Novembro
A anual Festa da Castanha e do Mel teve lugar em Góis no Domingo passado, como sempre acontece no 1º de Novembro. Para muitas pessoas este feriado significa uma visita ao cemitério para colocar as suas flores e depois uma tarde passada na feira, admirando os produtos e artesanato e desfrutando das danças folclóricas tradicionais. Nós esperamos sempre por esta feira, que é um evento no calendário local, com antecipação, e basta o nome “Castanha e Mel” para me fazer crescer água na boca! As folhas do Outono tinham formado um grosso tapete no chão do Parque do Baio onde a festa teve lugar e tudo em redor ficou castanho-dourado – as pilhas de castanhas e nozes, as garrafas de Jeropiga e aguardente e, claro, os grandes frascos de mel da Serra da Lousã e as velas de cera. Eu penso que o mel local é o mais puro e fino que eu alguma vez provei e eu estou convencida de que tomar uma colher todos os dias beneficia a minha saúde, tenho a certeza de que muitas pessoas daqui também concordariam. As castanhas, com baixo teor de gordura e alto teor de amido, são uma boa fonte alimentar e sempre foram importantes na dieta local, por isso esta feira tem raízes culturais profundas. Este ano, infelizmente, o dia tornou-se cada vez mais chuvoso, e embora isto não tivesse detido os bailarinos, os artesãos e até os visitantes como nós sentiram que estava demasiado molhado para ficar no magusto – a ideia de nos movermos por entre a lama pelas nossas castanhas assadas no carvão não nos atraiu muito. Mas eu espero que agora que estamos na temporada possamos ir a outro magusto, porque é a melhor maneira de comer castanhas – acotovelando-nos com os nossos vizinhos e ficando com as mãos pretas no processo!      

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  Updated 10 May, 2010