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  Life is Góis    por Patricia Mayborne
 
 

31 de Outubro
Hoje é, obviamente, o Halloween, a véspera do dia de Todos os Santos ou Dia de Finados, também conhecido como dia dos Mortos. Enquanto as crianças estão ocupadas a esculpir as suas lanternas de abóboras e a mascarar-se de bruxas e vampiros, a geração mais velha está mais preocupada em honrar os seus antepassados fazendo a visita anual ao cemitério neste fim-de-semana. Ali, limpam as campas ou túmulos dos membros de família falecidos e adornam-nos com flores e velas. O efeito, em massa, é uma transformação do habitualmente sombrio cemitério num jardim de crisântemos amarelos e brancos durante o dia e num brilhar de velas vermelhas durante a noite, iluminando o caminho para os espíritos dos antepassados…

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28 de Outubro
Na semana passada eu tirei alguns dias para ir visitar a família em Edimburgo. No dia em que eu voei a chuva decidiu fazer um lençol que descia em torrentes, quase fazendo com que eu perdesse o meu voo pelo trânsito da hora de ponta à entrada de Lisboa que rosnava em impasse sob o peso da água. Felizmente, eu consegui escapar, e agora estou de volta, o sol brilha uma vez mais e a temperatura é de amenos 20ºC. Há uma coisa sobre a qual ando a matutar desde que cheguei a Portugal, é o facto de ser o único país que eu conheço da Europa Ocidental que não dá aos dias da semana os nomes de planetas e deuses associados. Eu perguntei a muitas pessoas portuguesas como é que os seus dias da semana ficaram a ser conhecidos como ‘segunda feira’, ‘terça feira’, etc. com apenas os sábados e domingos a ser chamados assim. O que aconteceu aos outros dias? Ninguém me sabia responder. Recentemente, tropecei na resposta, por cortesia da Wikipedia, onde eu deveria provavelmente ter procurado em primeiro lugar! http://en.wikipedia.org/wiki/Week-day_names#Monday  

O facto é que os dias da semana foram chamados pelos nomes dos planetas até ao séc. VI, quando o arcebispo de Braga decidiu que isto era inadmissivelmente pagão, e decidiu ele próprio desinfectar o calendário, substituindo os nomes pelos aborrecidos ‘segunda feira’, ‘terça feira’, etc. Na Galiza, a parte de Espanha que fica a norte de Portugal e que ainda fala um dialecto mais próximo do Português do que o Castelhano, os nomes originais ainda estão vivos e em uso quotidiano. Eu refiro-os em seguida, com as suas associações planetárias: Luns (dia da Lua), Martes (dia de Marte), Mércores (dia de Mercúrio), Xoves (dia de Júpiter) e Venres (dia de Vénus). Sábado e Domingo estão relacionados com o Sabbath e o Dia do Senhor – talvez outrora estes também tenham sido denominados por Saturno e o Sol? Estou a pensar em começar uma campanha solitária para reinstituir estes maravilhosos nomes, pelo menos no meu pequeno mundo… Góis, Martes, 27 de Outubro. 

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12 de Outubro
Como os dias ainda continuam a estar quentes e com sol, decidimos aproveitar uma vez mais o nosso Domingo e dirigimo-nos para o interior desta vez, para uma aldeia a Nordeste de Tábua chamada Fiais. Aqui fica uma intrigante colecção de dólmenes conhecida como o complexo Orca, no Circuito Pré-histórico de Fiais. A palavra ‘Orca’ em significa ogre, ou monstro devorador, mas também arca ou dólmen nesta região. O dólmen central é um edifício esplêndido e com sol do fim de tarde não parecia sinistro, mas até pelo contrário, parecia emanar uma qualidade tranquila e intemporal de paz profunda das suas enormes pedras. Os dólmenes estão espalhados por uma área relativamente pequena de charneca que tem uma vista fantástica sobre a Serra da Estrela numa direcção e sobre Trevim na outra. A paisagem aqui é muito diferente da região de Góis com os seus rios e montanhas e vales férteis – aqui as colossais lajes de granito emergem do solo arenoso e há pinheiros e, claro, o omnipresente eucalipto. Em algumas das lajes próximas dos dólmenes estão gravados alguns petróglifos intrigantes, particularmente um desenho repetido de um círculo com uma cruz alongada, algo semelhante ao símbolo astrológico de Vénus. Os dólmenes foram datados como tendo 6000 anos, mas não parece ter havido uma tentativa evidente de datar os petróglifos nem de interpretar o seu significado. Provavelmente muitas outras pedras e lajes foram removidas e reutilizadas em edifícios locais. Até houve um grande dólmen que foi incorporado num palheiro de uma quinta local – presumivelmente evoluindo desde ser usado apenas como abrigo até à estrutura actual do edifício, que é relativamente recente. A maior parte dos outros dólmenes são em menor escala – mesas de pedra com 3 patas colocadas sobre montes de terra. Em alguns as entradas são ainda visíveis, e no grande Dólmen Orca é possível rastejar através da passagem da entrada e ficar de pé na câmara principal, rodeados pela antiga pedra. Eu adoro ter a oportunidade de vaguear por lugares como este e deixar soltar a imaginação. Estávamos por nossa conta ontem, desfrutando de uma tarde sem distúrbios em comunhão com os antepassados.

Para ver mais sobre o complexo Orca, clique aqui:http://www.ancient-wisdom.co.uk/portoorca.htm

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6 de Outubro
Hoje estamos de volta ao trabalho depois do feriado do 5 de Outubro e fomos saudados de manhã por nuvens cinzentas encaracoladas. Mas há dois dias desfrutámos de uma última explosão de Verão ao ir para a costa – é apenas uma hora e meia de carro até à Praia de Mira, - onde passámos um tempo maravilhoso a brincar na borda dos tubos de ondas trovejantes do Atlântico. Em intervalos regulares ao longo da praia, os tradicionais barcos de pesca em forma de meia Lua eram carregados com as suas redes e remos. Demos uma olhada de perto num, e vimos uma figura minúscula da Virgem Maria presa com fita-cola na pontinha da proa – ao observar a ferocidade das ondas foi fácil de compreender que os pescadores sentissem a necessidade de protecção divina ao lançarem-se para dentro daquele mar revolto e a razão pela qual eles têm o mote “Vamos com Deus” inscrito no interior do barco. Por entre o nevoeiro do mar eles apareceram de forma muito romântica alinhados na margem, mas eu imagino que a realidade de trazer uma pescaria sob força de remos exige muito trabalho duro e suor. No fim da temporada a pequena vila da Praia de Mira parecia bastante cansada, mas mesmo assim cheia de visitantes que desfrutavam da maresia. É bom relembrar que o mar está tão perto e eu aprecio o sabor forte a sal na minha pele. Apesar de termos desfrutado imenso de nadar no rio todo este Verão, não há nada como brincar no Oceano!

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2 de Outubro
A vida em Góis está neste momento a ser avivada pela corrida à eleições. No último fim-de-semana tiveram lugar as Legislativas, mas as Autárquicas que ainda estão para vir prometem ser muito mais interessantes. Trabalhando no nosso escritório no meio da vila somos presenteados ao longo do dia com os veículos oficiais das eleições a passar, equipados com altifalantes que soam com música de vários géneros, exortando-nos para votar neste ou naquele partido político. A única outra altura em que recebemos tanta publicidade ruidosa é quando o Circo vem à vila! Mas cartazes coloridos das eleições em cada esquina abrilhantam realmente o lugar. 
Eu tenho que confessar que ainda sou vergonhosamente ignorante sobre aquilo que os vários partidos políticos defendem, mas uma eleição é muito mais interessante quando se conhecem individualmente os candidatos os vemos andar por aí. E na realidade, tem sido difícil não atropelar os nossos candidatos e os seus apoiantes neste momento, já que eles estão ao virar de cada esquina. Será que aquele que suceder continuará assim tão disponível para a população depois das eleições? Eu digo isto com um pouco de ironia, mas temos esperança sincera e muitos sonhos para a região de Góis e gostaríamos de ver a renovação da energia continuar a permitir a materialização de projectos construtivos. Por isso aguardamos com antecipação para ver o que o 11 de Outubro nos trará.

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  Updated 10 May, 2010