A partir da Alta Idade Média, e até aos nossos dias, peregrinos de toda a Europa, nomeadamente, da Europa Ocidental, meteram-se e ainda se metem, hoje, a caminho de Santiago de Compostela.
Nos primeiros tempos utilizaram, como transporte; os barcos, os carros de bois, os cavalos e os burros. Também faziam as “caminhadas” a pé. Afinal todos queriam ir a Compostela, na Galiza, ver o “Santiago Matamoros”.
Santiago é recordado como um dos discípulos de Jesus, que se diz ter vindo para a Península Ibérica durante o seu sacerdócio e que pregou a mensagem do Senhor (de amor e perdão) – no Monte Santiaguiño. Foi executado em 44. A lenda diz que dois dos seus seguidores transportaram o seu corpo, de barco, de Jerusalém para a Galiza, a pedido da rainha Lupar que tinha sido convertida ao cristianismo, sepultando-o perto do local que agora tem o seu nome.
Existem duas versões sobre a fundação de Santiago de Compostela:
Alguns dizem que por volta de 820 um eremita, chamado Pelayo, vivia na floresta de Libredon (antigo nome de Santiago de Compostela), quando testemunhou uma chuva de estrelas caindo sobre o local onde as relíquias de Santiago foram sepultadas.
Outros dizem que as relíquias de Santiago foram descobertas em 835 por Theodomir, bispo de Iria Flavia, o qual foi guiado por uma estrela, para o local onde elas se encontravam.
Ambas as versões falam da grande importância desempenhada pela estrela, nesta lenda. É possível que a palavra Compostela seja um topónimo das palavras latinas “Campus Stellae”, isto é, Campo das Estrelas.
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A maior parte das fontes concorda com esta narração, uma vez que a Reconquista cristã, na sua missão, tinha por fim expulsar os Mouros da Península Ibérica. Com ironia, o apóstolo de Cristo foi reinventado como sendo ele um assassino dos pagãos, um cavaleiro, num cavalo branco, massacrando com uma só mão os ‘infiéis’ muçulmanos.
Seja qual for a razão, de “defensor da fé” ou, talvez, em memória das suas origens (apóstolo de Cristo), o local de descanso eterno, de Santiago cresceu, passando de um centro de culto, da Galiza, para um grande centro de peregrinação durante vários séculos. O terceiro em importância depois de Jerusalém e Roma. A sua popularidade decresceu no século XV, porem nos fins do século XX e nos inícios do século XXI, surge um novo interesse pelos “Caminhos de Santiago de Compostela”.
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Segundo a lenda dos Celtas, a parte noroeste da Ibéria era o local onde as almas dos mortos se “encontravam” para seguir o sol pelo mar. Será possível, que esta lenda, nesta área geográfica da Europa, possa ter algo a ver e ligado ao aparecimento de Santiago em Compostela?
O paganismo Celta, possuía um sistema de crenças e práticas e foi construído sobre a religião da “cultura megalítica”. Existem muitos testemunhos de ritos, do período megalítico, relativos à veneração do sol (culto do sol). Uma das mais importantes divindades dos Celtas era a tripla deusa “Brigid”, “ a luminosa”, (deusa do sol) que traz o novo ano dos Celtas (quando “acende o fogo” na terra).
Os Romanos, quando conquistaram a Ibéria, “adoptaram” “Brigid” e veneraram-na como “Dea Brigantia”. Pensa-se que muitos locais receberam o nome dela, incluindo a cidade espanhola de Betanzos, que se situa, apenas a 26 km, a nordeste de Santiago de Compostela.
Qual é a ligação entre a deusa “Brigid” e os peregrinos de Santiago?
A concha de “Vieira”, o símbolo de Venus, sagrado para “Brigid”, é também, o emblema que identifica os devotos do culto de Santiago.
(Segundo uma lenda, o seu corpo, perdido no mar, foi arrastado pelas correntes marítimas, até à Península Ibérica (Espanha), onde chegou intacto a uma praia, tendo sido encontrado coberto por “conchas de Vieira”). “A concha de Vieira”, à qual foram atribuídos poderes miraculosos, e que era usada como amuleto, na “Idade Média”, contra maldições e pragas, pelos Cristãs, parece ter origem numa “religião” da Proto-História de da Romanização da Península Ibérica.
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A Góis Real Estate Company e o Professor João Alves Simões trabalham juntos para criar um mapa que demonstra o percurso que os peregrinos tomavam através da região (pela região). Esta investigação corre juntamente com a da estrada Romana que passa pela vila de Góis, já que as duas parecem ser associadas uma a outra. Esperamos vir a poder identificar pontos de interesso histórico ao longo do percurso, e explicar a importância sociológica e religiosa da vila de Góis.
Lendo e/ou consultando os vários historiadores e as várias obras literárias, desde a Alta Idade Média, até aos nossos dias, acerca dos itinerários ou caminhos de “Santiago de Compostela”, provavelmente, ainda hoje, no século XXI, não teremos um conhecimento perfeito e total, de todos esses “caminhos”.
Será, talvez, possível que a antiga estrada Romana Conimbriga, Aeminium…, parte dos actuais concelhos de Miranda do Corvo, Lousã e Góis(1) (Portela(2) de Albergaria, Ponte do Sótão, Portela(2) de Góis, calçada de Góis). A própria vila seria atravessada, talvez, por essa estrada Romana, que cruzando o rio Ceira, passava pelo actual “Cerejal”, em direcção a Bordeiro, Concelho de Arganil (Acampamento Militar Romano da Lomba do Canho) em direcção a Bobadela (Oliveira do Hospital), Viseu, Lamego, etc., tenha sido decalcada, posteriormente, isto é, séculos depois, pelos peregrinos que se destinavam a Santiago de Compostela, na Galiza.
Poderemos fazer as seguintes conjecturas? Estará realmente, a vila de Góis, situada numa dessas velhas rotas peregrinas?
(1)Tudo leva a querer que a “estrada Romana”, que atravessava o actual Concelho de Góis, está bem visível e bem documentada.
(2)”Portela”, palavra latina, significa “passagem estreita entre dois vales” ao terminar uma estrada (romana).
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